Lulu é uma criança pequena,
talvez por volta dos 3 anos de idade, que adora livros e tem a ida à biblioteca
como o seu passeio preferido. Por isso, Lulu aprendeu a acordar a mãe bem cedo
quando sabe que vai à biblioteca, assim como já entendeu a rotina do passeio: é
necessário recolher os livros que precisa devolver e levar o cartão de
empréstimo.
O passeio é composto de várias atividades agradáveis,
Lulu encontra os amigos, ouve histórias, devolve e escolhe novos livros para
levar para casa. E para finalizar, a mãe de Lulu lê as histórias para a menina
à noite antes de dormir.
O livro é um incentivo aos passeios às bibliotecas e,
de alguma maneira, um incentivo para que nos apropriemos devidamente desses
espaços maravilhosos. Também encoraja a iniciação das crianças no mundo dos
livros o quanto antes. A ilustração do livro é lindíssima e acompanha muito bem
o texto escrito, aumentando ainda mais o nosso encantamento por essa menininha
adoradora de livros.
Autora:
Anna McQuinn
Ilustradora:
Rosalind Beardshaw
Editora:
Pallas
Quantidade
de páginas: 28
Também confira o vídeo do livro Lulu adora a biblioteca!
Cada
personagem dessa história tem uma ideia que leva consigo, mas um deles, o
Nicolau, além de carregar uma ideia, resolve contar a sua ideia para outra
pessoa que, por sua vez, conta a sua.
Nicolau não
para por aí, continua contando as ideias que têm para outras pessoas e também ouvindo
as ideias que lhe contam. O resultado é o compartilhamento das ideias e a
construção de um conhecimento que abrange o saber de várias pessoas.
A narrativa
infere que a interação é o mecanismo necessário para o desenvolvimento das
ideias e o que promove o conhecimento coletivo. O resultado é o desenvolvimento
de todos.
O ambiente
em que Nicolau está inserido permite que ele e os demais personagens
compartilhem as ideias. As relações humanas estão alicerçadas de maneira
que é possível falar sobre aquilo que conhece e há espaço para escutar o outro, assim todos podem se expressar. O conhecimento é muito limitado quando somente uma
pessoa ou grupo controla as ideias que permeiam a sociedade, o bairro, a
escola, a família.
O texto brinca
que todo mundo tinha apenas uma ideia, a grande perspicácia foi compartilhar.
Todos ganham quando trocamos aquilo que sabemos. Todos ganham quando ouvimos o
outro.
Autora: Ruth Rocha
Ilustração: Mariana Massarani
Editora: Quinteto editorial
Quantidade de páginas: 34 (com
pouco texto)
Neste post foi utilizada uma
edição antiga do livro Nicolau tinha uma ideia. A edição atualmente comercializada é publicada por outra editora e com desenhos de outro
ilustrador.
Confira também o vídeo sobre o livro Nicolau tinha uma ideia!
Este
livro faz parte de uma série de livros sobre uma bruxinha chamada Nita. As
histórias se passam em um mundo mágico e como vamos descobrindo nos títulos da
série, a personagem Nita é independente, curiosa e inteligente.
A ilustração
da Lieve Baeten é muito detalhada, com muitas informações a serem descobertas nos
desenhos, assim, as imagens contam também uma história, que não necessariamente
é contada no texto escrito.
Neste
título, a bruxinha Nita encontra uma mala em frente à sua porta e tenta abri-la,
como não consegue, a bruxinha sai à procura de ajuda, mas ninguém consegue abrir a mala.
Depois de ouvir que deveria desistir, afinal nenhum encanto consegue abrir a mala, Nita
resolve a questão utilizando a sua inteligência, claro.
Em
uma das tentativas em que foi feito um feitiço, tudo o que estava ao redor se
abriu, exceto a mala, então Nita tem a ideia de jogar um contra feitiço, uma
mágica para manter a mala fechada. Aí sim, a mala se abre.
O
título do livro revela uma característica sobre Nita, e o mais interessante é
que ela mesma se considera inteligente; sem parecer arrogante, Nita tem
consciência da sua sagacidade e valoriza isso. A bruxinha Nita é uma criança
que vive em um mundo mágico, seus livros são cheios de aventuras e
encantamentos.
A
edição do livro é muito bonita; algumas páginas têm abas que ao abrirmos simula
o movimento da ação, o antes e o depois da mágica; há uma cartinha que também é
possível abrir. Todas as minúcias da ilustração torna a leitura ainda mais
prazerosa desse livro.
Autora e ilustradora: Lieve Baeten
Editora: Brinque-book
Quantidade de páginas: 28 (com pouco
texto)
Confira também o vídeo sobre o livro A bruxinha inteligente!
Este
livro infantil fala de maneira evidente sobre a negligência de uma criança por
seus pais. Percebemos que a mãe e o pai de Bernardo não lhe dão a devida
atenção por meio do texto escrito e também através da ilustração.
O
menino tenta contar aos pais que têm um monstro no jardim, mas nenhum deles dá
atenção, respondendo simplesmente: agora, não Bernardo. A história nos mostra
que até um simples oi é respondido com esta mesma frase.
A
ilustração revela o comportamento omisso dos pais de Bernardo, eles nunca olham
para a criança e parecem manter os olhos fechados quando precisam falar com o
filho.
Como
seus pais não demonstraram qualquer preocupação por haver um monstro no jardim,
o Bernardo vai conversar com o monstro e é comido por ele. O monstro, então,
resolve entrar na casa de Bernardo e é tratado como se fosse a própria criança,
ou seja, enquanto se comporta como um monstro, mordendo a perna do pai,
quebrando os brinquedos do Bernardo, os pais continuam a repetir: Agora não,
Bernardo.
Se não
bastasse o impacto até aqui desse livrinho poderoso, o final nos deixa ainda
mais sensibilizados. A mãe coloca o monstro para dormir, lhe dá boa noite e quando
o monstro afirma que ele é um monstro, ela responde: Agora não, Bernardo.
O que
vem na sequência é uma grande página em branco em que não cabe as nossas
dúvidas e angústias. O que aconteceu com o Bernardo? Dá para questionar se o
Bernardo foi comido mesmo pelo monstro, ou se é uma metáfora, da transformação
do Bernardo em monstro. Muitas questões podem ser levantas a partir dessa
história.
Autor e
ilustrador: David McKee
Editora: wmf
martins fontes
Quantidade
de páginas: 32 páginas
Estrutura do
texto: entre 1 e 2 linhas em cada página
Confira aqui
o vídeo do livro Agora não, Bernardo!
O
título do livro refere-se a uma expressão da língua portuguesa que significa
alguém que não tem opinião pessoal e segue a opinião alheia.
A Maria
da história é uma ovelha que faz parte de um rebanho que faz coisas muito
estranhas, como ir ao pólo sul e ao deserto. As empreitadas do rebanho sempre
resultam em problemas, as ovelhas ficam doentes e não é nem um pouco divertido.
Se
nenhuma ovelha questiona os motivos de continuarem fazendo coisas que as
colocam em perigo, Maria começa a se sentir incomodada quando tem que comer jiló,
comida que ela odeia. A experiência de se ver obrigada a fazer algo que não quer
de jeito nenhum coloca uma pulguinha atrás da orelha da ovelha.
Em uma
nova empreitada escalando o Corcovado no Rio de Janeiro, as ovelhas, em sequência,
pulam lá de cima e, claro, se machucam. Maria que já vinha ponderando sobre
seguir a maioria sem reflexão nenhuma, resolve deixar o rebanho e viver a vida
de acordo com as suas próprias ideias.
O texto
da Sylvia Orthof é engraçado e uma ferramenta importante para nos ajudar a
refletir de maneira crítica diante da vida e ir em busca da formação da nossa própria identidade.
Autora e ilustradora:
Sylvia Orthof
Editora: Ática
Quantidade de páginas: 32
Estrutura do texto: entre 1 e
3 linhas por página
Confira também o vídeo sobre o livro Maria vai com as outras!
Mapa de sonhos conta a história da infância de Uri Shulevitz,
autor e ilustrador desse livro. Aos quatro anos, ele e sua família fugiram da
Polônia seguindo sentido leste, pois havia estourado a Segunda Guerra Mundial.
A família se estabeleceu por alguns anos onde hoje é o Cazaquistão, eles viviam
de maneira precária e com dificuldades para se alimentar, por isso, nos
surpreendemos nesta história quando o pai do menino resolve comprar um
mapa-múndi ao invés de comida.
Embora toda a família sinta fome, o mapa tem um significado
importante para a resistência diante de tempos difíceis. Uri passa horas
imaginando como é viver em todos aqueles lugares, por vezes, ele desenha o mapa. A imaginação ajuda o menino a atravessar
a pobreza, a fome e a sonhar por um lugar melhor para viver. O pai não comprou somente o mapa, mas construiu a esperança de uma vida melhor.
Na página final do livro temos um pouco sobre a história do autor
e algumas evidências do período como refugiado, uma foto do Uri aos sete ou
oito anos, o desenho de um mapa que registra o lado ocidental do continente
africano com os nomes dos países escrito em alfabeto cirílico (o território em
que a família de Uri se estabeleceu estava sob influência da URSS!) e um
quadrinho no estilo Tintim do período pós-guerra quando a família morou em
Paris.
O tema dessa história infantil continua pertinente à realidade de
hoje, infelizmente. O livro é maravilhoso por não nos deixar esquecer a
experiência da guerra para as crianças e o impacto em suas vidas. Obrigada, Uri.
Autor e ilustrador:
Uri Shulevitz
Editora: wmf Martins
fontes
Quantidade
de páginas: 32 (com pouco texto)
Confira também o vídeo sobre o livro Mapa de sonhos!